Conforme observa o consultor em gestão e resultados empresariais Victor Maciel, há um padrão recorrente entre empresas que chegam para uma primeira conversa de consultoria: governança corporativa e gestão tributária são tratadas como pautas separadas, com agendas distintas e pouco diálogo entre si. O resultado aparece nos números, na forma de riscos não mapeados, oportunidades fiscais desperdiçadas e decisões tomadas sem considerar o impacto tributário real.
Diante disso, tratar essas duas frentes de forma integrada é uma necessidade prática para qualquer empresa que pretenda crescer com solidez.
O que a governança tem a ver com a carga tributária?
Mais do que parece. A estrutura de governança define como as decisões são tomadas e com que qualidade as informações chegam a quem decide. Quando essa estrutura é frágil, as decisões tributárias tendem a ser reativas: a empresa descobre que pagou tributos a mais depois que o prazo de recuperação passou, ou identifica um risco fiscal no meio de uma auditoria.
Para Victor Maciel, tributarista e conselheiro empresarial com foco em eficiência fiscal, a conexão é direta: empresas com boa governança tomam decisões tributárias melhores porque têm informação de qualidade no momento certo. A cultura de compliance não começa na contabilidade, começa no conselho.
Como a Reforma Tributária torna essa pauta ainda mais urgente?
A transição para o novo sistema tributário brasileiro, com a substituição gradual de PIS, COFINS e ISS pelo IBS e pela CBS, representa uma das maiores mudanças no ambiente fiscal das empresas nas últimas décadas. Não é uma reforma que se resolve com um ajuste no sistema de emissão de notas. Exige revisão de contratos, reavaliação de modelos de precificação, análise de impacto por setor e, em muitos casos, reorganização societária.
O CEO da VM Associados, Victor Maciel, acompanha de perto esse movimento e aponta que empresas que esperarem a implementação completa para começar a se adaptar terão muito menos margem de manobra. A Reforma Tributária não é uma ameaça para quem está preparado. Para quem está bem estruturado, ela pode representar uma oportunidade real de ganho competitivo. O problema é que estruturar leva tempo.

Gestão de risco tributário: o que ainda é subestimado?
Risco tributário não se resume à possibilidade de uma auditoria fiscal. Ele está presente em decisões cotidianas: a forma como uma operação interempresarial é classificada, o critério usado para apropriar créditos, a documentação que ampara um benefício fiscal utilizado há anos. Dessa forma, empresas sem processos de compliance tributário estruturados acumulam esses riscos de forma silenciosa. Quando o passivo se materializa, o impacto vai além do valor do tributo em si, porque envolve multas, juros, restrições cadastrais e, em alguns casos, comprometimento de operações de crédito e negociações societárias.
Na visão de Victor Maciel, a prevenção de passivos tributários é tão estratégica quanto a recuperação de créditos. O foco costuma ir para o que se pode recuperar, mas o que se pode evitar pagar indevidamente no futuro tem impacto igual ou maior na performance financeira da empresa.
Crescimento estruturado começa antes da expansão
Eficiência fiscal e governança, tratadas juntas, são a base desse controle. Por isso, empresas que crescem sem estrutura fiscal e de governança adequadas tendem a gerar margens menores do que poderiam, assumir riscos que não conseguem monitorar e tomar decisões de expansão sem base suficiente para sustentá-las.
Victor Maciel resume esse princípio com precisão ao enfatizar que crescimento sem controle é só aumento de complexidade. O que diferencia uma empresa forte de uma frágil não é o tamanho, mas a capacidade de crescer sabendo exatamente o que está acontecendo dentro do negócio.
Eficiência fiscal e governança corporativa, tratadas de forma integrada, são a base desse controle. E construir essa base antes de precisar dela é o que define empresas que chegam longe com consistência.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez