Parajara Moraes Alves Junior, contador especialista em agronegócio, destaca um padrão recorrente entre os produtores rurais: a maioria sabe quanto produziu, mas poucos sabem quanto custou produzir cada saca, cada arroba ou cada litro. Essa diferença, aparentemente simples, é o que separa uma operação saudável de uma que trabalha muito e lucra pouco.
Produtividade por hectare não é apenas um número agronômico. É um indicador de gestão que, quando lido junto com os custos por unidade produzida, revela se a operação está gerando margem real ou apenas faturamento. Continue lendo para entender como organizar esses dados de forma prática e o que eles dizem sobre o futuro da sua fazenda.
O que a produtividade por hectare realmente mede?
A produtividade por hectare indica a quantidade de produto obtida em uma determinada área cultivada ou explorada. Em soja, por exemplo, mede-se em sacas por hectare. Em pecuária, em arrobas ou quilos por hectare ao ano. Em cana, em toneladas por hectare.
O erro mais comum é tratar esse número isoladamente, pois, como explica Parajara Moraes Alves Junior, um produtor que colhe 65 sacas de soja por hectare pode estar em situação pior do que aquele que colhe 55, dependendo do custo de cada operação. A produtividade precisa sempre ser lida ao lado do custo de produção por unidade.
Por que a maioria dos produtores ainda opera sem indicadores estruturados?
A falta de indicadores formais não é descuido. É, na maioria dos casos, consequência de uma gestão que cresceu junto com a operação, sem parar para estruturar processos de controle. O produtor que começou pequeno e foi ampliando as safras nem sempre teve tempo ou orientação para organizar um painel de gestão.
Conforme expressa Parajara Moraes Alves Junior, a ausência de indicadores cria um risco silencioso: decisões de investimento baseadas em percepção, e não em dados. Comprar mais terra, ampliar o rebanho ou mudar de cultura sem saber o real desempenho atual da operação é uma exposição financeira que pode comprometer anos de trabalho.

Como estruturar indicadores de produtividade na prática?
O ponto de partida é simples: registrar o que entra e o que sai, por talhão, por lote ou por área específica. Isso permite calcular a produtividade real de cada parte da fazenda, identificar onde os custos são mais altos e onde o desempenho está abaixo da média da propriedade.
Os principais indicadores operacionais para o produtor rural incluem: produtividade por hectare (ou por UA, em pecuária), custo operacional por unidade produzida, receita líquida por hectare e ponto de equilíbrio da safra. Esses quatro números já são suficientes para uma leitura inicial consistente da operação.
Segundo o contador especialista em agronegócio, Parajara Moraes Alves Junior, o ideal é que esses dados sejam organizados mensalmente e comparados com o histórico da propriedade e com os índices médios da região. A comparação interna ao longo do tempo é tão importante quanto o benchmark externo, pois revela a trajetória real da fazenda.
O impacto da Reforma Tributária sobre a leitura dos indicadores
A EC 132/2023 e a LC 214/2025 introduzem mudanças relevantes na tributação sobre o consumo, inclusive para o agronegócio. A transição para o IBS e a CBS, com regras específicas para produtos agropecuários, pode alterar o custo efetivo de insumos ao longo do período de implementação. Isso significa que os indicadores de custo por hectare precisarão ser revisados à medida que os novos tributos entram em vigor.
Como destaca o consultor em planejamento tributário Parajara Moraes Alves Junior, produtores que já mantêm um controle detalhado de custos terão muito mais facilidade para identificar o impacto real das mudanças tributárias na rentabilidade da operação. Quem não tem esse controle vai perceber a mudança apenas quando a margem já tiver sido corroída.
O agronegócio brasileiro adota tecnologias avançadas no campo, mas a gestão ainda é lenta na integração de dados
O agronegócio brasileiro avança em tecnologia de campo: precision farming, sensoriamento remoto, máquinas conectadas. Mas a tecnologia de gestão ainda caminha mais devagar. O produtor que hoje estrutura seus indicadores operacionais, especialmente a produtividade por hectare integrada ao custo de produção, está construindo uma base que vai sustentar decisões melhores nos próximos ciclos, inclusive durante a implementação completa da Reforma Tributária.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez