Quando o assunto é o futuro do setor automotivo, a conversa costuma se concentrar só em carro elétrico e piloto automático. Essas mudanças realmente vêm, mas o impacto mais imediato para quem compra carro ou contrata proteção veicular está em outro lugar: na forma como toda a negociação, do financiamento à cobertura, passa a acontecer sem que o motorista precise sair de casa.
David do Prado, vendedor com mais de 10 anos de experiência no setor automotivo e proteção veicular, sente essa mudança no dia a dia do atendimento, à medida que o motorista chega mais preparado a cada ano, com pesquisa feita e dúvidas pontuais em vez de perguntas genéricas sobre o funcionamento da proteção veicular.
A eletrificação vai mudar também a lógica da proteção veicular
Carros elétricos e híbridos ainda representam uma fatia pequena da frota nacional, mas essa proporção deve crescer de forma consistente nos próximos anos. Peças específicas, mão de obra especializada e o valor mais alto da bateria mudam completamente o cálculo de risco que sustenta qualquer modelo de cobertura, seja seguro tradicional ou proteção veicular.
Associações que já começam a estudar planos específicos para veículos eletrificados tendem a sair na frente quando essa transição avançar de fato. David do Prado percebe esse movimento antes mesmo de aparecer nas estatísticas: cresce o número de motoristas que perguntam sobre cobertura para híbridos e elétricos, ainda que a frota desses veículos continue pequena no país.
A contratação deve ficar cada vez mais digital, do início ao fim
Hoje boa parte do processo de contratação de proteção veicular ainda depende de alguma etapa presencial, como a vistoria do veículo. A tendência é que boa parte dessas etapas migre para aplicativos e plataformas online, com vistoria por vídeo, assinatura digital e acompanhamento do processo direto pelo celular, reduzindo a dependência de agenda e deslocamento físico.

A digitalização completa desse processo reduz custo operacional para a associação e agiliza a experiência do motorista, mas também aumenta a exigência por transparência, já que fica mais fácil comparar prazos e condições entre concorrentes diferentes com poucos cliques. David do Prado indica que as associações que investirem nesse tipo de estrutura tendem a conquistar o motorista mais jovem primeiro, justamente por oferecer um processo mais rápido do início ao fim, sem etapas presenciais desnecessárias.
Modelos de posse do veículo devem se diversificar nos próximos anos
Comprar um carro à vista ou financiado deixou de ser a única forma de ter acesso a um veículo. Assinatura de carro, compartilhamento entre famílias e planos de longo prazo com troca periódica de modelo já existem no mercado brasileiro e devem ganhar espaço, principalmente nas grandes cidades, onde o custo de manter um carro parado a maior parte do tempo pesa mais no orçamento.
Segundo destaca David do Prado, essa diversificação exige que associações de proteção veicular repensem produtos pensados originalmente só para o modelo tradicional de posse, criando coberturas específicas para quem assina ou compartilha um veículo em vez de ser dono único dele, algo raro nos contratos vendidos há poucos anos.
O que essas mudanças representam para quem compra ou protege um carro hoje?
Nenhuma dessas tendências chega de uma vez, mas todas avançam na mesma direção: mais informação disponível, mais opções de modelo de posse e mais exigência por agilidade em cada etapa da relação entre motorista e prestador de serviço. Quem acompanha esse movimento com atenção tende a tomar decisões melhores, tanto na hora de escolher o veículo quanto na hora de escolher como protegê-lo.
O motorista que entende essas mudanças com antecedência sai na frente, seja negociando um plano mais adequado ao seu perfil de uso, seja evitando contratos pensados para um modelo de posse que já está perdendo relevância no mercado brasileiro e não vai mais existir da mesma forma daqui a poucos anos.